sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não sou uma só: Diário de uma bipolar

Não sou uma só: Diário de uma bipolar Li esse livro em poucos dias, uns três no máximo. É uma leitura leve, fácil e que não cansa.

Cheguei ao conhecimento desse livro há muito tempo quando eu vi uma matéria no Fantástico sobre Transtorno Bipolar. Eu lembro que nessa época pouco se conhecia dessa doença, acho que estou falando mais por mim. Eu nunca tinha ouvido falar e agora eu sei que não é uma doença nova como eu imaginava. Mas eu acredito que era sim pouco conhecida e ainda é. E eu me interessei mais pela notícia, pois foi bem próximo a época que minha mãe foi diagnosticada com essa doença.

E na entrevista aparecia a autora desse livro, a Marina W. Ela é bipolar e no livro conta algumas de suas experiências, as coisas que lhe aconteciam devido a sua doença. Eu a vi em uma outra entrevista, senão me engano com a Patrícia Travassos, que com esse livro ela esperava ajudar outras pessoas que estivessem com o mesmo problema viessem compreender e aceitar suas condições. E saber que tem que levar a sério o tratamento, pois parece que não só a minha mãe, mas muitos não aceitam essa doença e acabam não se tratando como deveria.

Ela conta no livro como foi a sua vida até ser diagnosticada e como foi difícil pra ela até de falar para as pessoas o que ela tinha. Na época a doença se chamava Psicose Maníaco Depressiva. Um nome forte, que carrega um estigma pesado de doença mental. O nome mudou pra Transtorno Bipolar exatamente para isso, para diminuir esse estigma.

Um trecho onde ela explica melhor esse preconceito que existia entorno dessa nomenclatura antiga:

"Se a rosa tivesse outro nome, teria o mesmo perfume? Talvez. Se a expressão 'psicose maníaco-depressiva' já tivesse sido trocada por 'transtorno bipolar de humor' minha reação poderia ser outra. Ninguém merece a junção dessas três palavras que, na minha avaliação infantil, me remetia ao filme de Hitchcock e outras paradas ainda mais sinistras. Ninguém nunca poderia saber disso. E guardei o segredo por quase 20 anos".

Marina W. se expressa muito bem em seu livro, por isso disse que achei uma leitura fácil e não cansativa. Alguns momentos tristes e alegres, mas no fim das contas foi como se tivesse me acrescido em algo. Foi uma ótima leitura para mim.

Fez dois anos essa entrevista do Fantástico e só agora eu comprei e li o livro. Comprei pra dar de presente a minha mãe, que leu antes de mim, é claro, e quando a perguntei o que tinha achado, ela apenas respondeu: eu não sou isso aí.

Não respondeu de forma agressiva, respondeu de forma meio irônica, como se eu que estivesse dado esse diagnóstico a ela. Eu acabo sempre me sentindo um pouco culpada de tudo que acontece com a minha mãe, mesmo sabendo que faço o que eu posso para ela estar sempre bem. Mas eu não posso obrigá-la a tomar os remédios. E eu esperava que com esse livro, assim como a Marina, ela perdesse o preconceito e aceitasse a doença. Percebesse o quanto é importante os remédios.

Eu também pensei no meu preconceito, pois infelizmente eu também carrego. Sabe aquele lance de não ligar quando acontece com os outros, mas quando acontece com a gente a coisa muda de figura. Então eu sempre busco mais informações pra eu ir me familiarizando. Eu também vi o filme que foi citado na entrevista, o Mr. Jones.

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